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sexta-feira, 28 de junho de 2013
sexta-feira, junho 28, 2013

Período Democrático - (4 de 5) Jânio Quadros

Em meio às suspeitas de corrupção durante o Governo JK (em especial na construção de Brasília), com amplo apoio dos estratos médios urbanos e da UDN e utilizando-se de expediente evidentemente populista Jânio Quadros é eleito presidente em 1960 com a maior votação até então registrada no Brasil, mais de 5,5 milhões de votos, representando 48% do total dos votos.

Com um discurso altamente paternalista e populista, Jânio costumava andar com suas roupas propositadamente amassadas e não suficiente, carregar sanduíche de mortadela nos bolsos. Ao mesmo tempo fazia o possível para reforçar a imagem de um político honesto, utilizando como símbolo de sua campanha uma vassoura, acompanhado do jingle:

Varre, varre, varre, varre, vassourinha.
Varre, varre a bandalheira,
Que o povo já está cansado
De sofrer desta maneira.

O governo Jânio Quadros durou apenas 7 meses e é marcado por medidas que variavam de insignificantes, extravagantes e desconcertantes, engendrando uma forte oposição interna, fruto, sobretudo, de uma rápida radicalização no sentido de uma política externa independente.

Em termos econômicos, assumindo o governo em um momento onde a inflação o custo de vida e a divida externa estava altos, o governo de Jânio Quadros adota as orientações do FMI e se destaca por uma política de contenção de gastos e austeridade fiscal, com cortes nos gastos públicos, “arrocho” salarial, combate a inflação e aumento da taxa de juros. Medidas extremamente desagradáveis, colocando o país em recessão econômica, o que rapidamente acaba com a sua popularidade.

Por outro lado, Jânio Quadros criou Comissões de Sindicâncias para investigar a corrupção durante o governo JK, o que evidentemente contrariava inúmeros parlamentares envolvidos em desvios volumosos de dinheiro público.

Simultaneamente, em termos de política externa, Jânio Quadros adotou muito rapidamente uma radicalização de seus discursos, assumindo uma Política Externa Independente, recusando o alinhamento automático com os Estados Unidos, e restabelecendo relações diplomáticas com a União Soviética e com a China – mesmo sendo anticomunista – declarando-se, ainda, abertamente contra a invasão de Cuba pelos Estados Unidos e dando apoio aos países africanos na luta pela independência frente a Portugal.

Não suficiente Jânio Quadros utilizava-se de factoides e singulares proibições, como no caso do uso de biquinis em concursos de beleza, as rinhas de galo, o lança-perfume em bailes de carnaval e o carteado. Contudo, seu ato mais ousado foi a condecoração do ministro e ex-guerrilheiro Ernesto Che Guevara com a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Tal medida descontentou grande parte dos setores militares e conservadores. A partir deste momento a UDN e, em especial, Carlos Lacerda se colocam publicamente em rede de televisão contra o governo de Jânio Quadros acusando-o de conspiração comunista e de planejar instaurar uma ditadura no Brasil.

Com uma frágil sustentação política, sem o apoio da UDN, desconcertando os setores militares e a tradicional submissão aos Estados Unidos, desagradando a direita e os setores conservadores com sua aproximação em relação aos países socialistas, combatendo os partidos de esquerdas e declarando-se anticomunista, e, não obstante, desagradando a população em geral com medidas factóides e com a desvalorização dos salários, Jânio Quadros cada vez mais carecia de estabilidade e apoio que sustentassem suas perípecias e ousadia política. Frente ao ataque explicito de Lacerda, Jânio Quadros surpreende a todos e no dia 25 de agosto de 1961 renuncia a presidência da República, deixando uma carta para ser entregue ao Congresso; pedido esse que imediatamente foi aceito.

Especula-se, por uma lado, que Quadros escreveu a carta em um momento de incerteza acreditando que não seria entregue. Diz-se ainda, que na verdade, tentava utilizar o seu apoio popular para aumentar seus poderes junto ao Congresso, neste caso, acreditaria que assim que anunciasse sua renúncia, o povo sairia às ruas exigindo sua volta ao poder (tentativa de um golpe de estado). Neste caso, talvez se lembrasse da comoção que acompanhou a morte de Vargas; seja como for, a população não saiu às ruas, e o Congresso prontamente aceitou a renúncia e Jânio Quadros iniciaria um longo período de ostracismo político.

Repare que na cartoon abaixo temos ao mesmo tempo uma referência aos problemas que o Brasil enfrentava no momento em que Jânio Quadros assumiu o poder, em especial todas as suspeitas de fraudes e a grande corrupção que envolveu a construção de Brasília. A vassoua é a grande marca da campanha de Jânio, que prometia sanear as finanças nacionais, o que até tentou, mas com medidas extremamente desagradáveis, como, por exemplo, o "arrocho salarial".


A cartoon faz referência ao caráter populista de Jânio Quadros, uma das suas estratégias utilizadas para conseguir se eleger presidente em 1960.
UMA IDEIA
Leandro - É muita sujeira, seu Jânio! São Cordilheiras!
Jânio - Com a industrialização de todo esse lixo quem sabe seu Leandro, se não salvaremos as finanças nacionais?!
THÉO. Careta, ano 52, 1960.
 

Abaixo talvez o que seja o primeiro comercial de propaganda política da televisão brasileira.

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