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domingo, 16 de junho de 2013
domingo, junho 16, 2013

Poder, política e o Estado moderno

O que conhecemos como “Estado moderno” surgiu com a desintegração da sociedade medieval e das relações sociais e políticas entre os senhores feudais os servos e o poder centralizado na estrutura da Igreja (poder espiritual) a partir da concepção universalista da respublica christiana.

Assim a primeira característica do Estado moderno é o que Max Weber definiu como a centralização do poder, ou o que ele chamou de “monopólio da força legítima”.

Antes de darmos continuidade nas principais características do Estado moderno devemos analisar rapidamente o conceito básico de “política”, “poder” e “força”.

A política

Etimologicamente a palavra política vem do grego politéia, que por sua vez se remete a cidades da Grécia Antiga que tinham o nome de pólis. Nesse âmbito pode-se dizer que política diz respeito à atuação dos indivíduos dentro da pólis (ou a politike) interferindo, decidindo ou gerindo o governo da cidade, ou em outras palavras, política é a “arte de governar”.

Contudo, devemos perceber que o desejo de governar leva às pessoas ao comando, ou seja, ao poder. Assim política pode ser compreendida também como o local do poder: “poder fazer”, “poder exercer”, “poder agir”. Muitas vezes para conseguir “fazer”, “exercer” ou “agir”, os indivíduos devem ter a capacidade de convencer. Assim podemos dizer que política é também a “arte de convencimento”.



A partir dessa breve explicação podemos perceber mais claramente a utilização da palavra política em alguns exemplos cotidianos:

Fala-se, por exemplo, da “política da escola” ou “política da empresa” referindo-se a uma estrutura determinada de poder, ou seja, à administração da empresa ou da escola enquanto um local de poder.

Política pode ser utilizada com o significado de “jogo de cintura”, quando, por exemplo, pedimos para alguém deixar de ser intransigente para “ser mais político”. Trata-se exatamente da ideia de política ligada ao convencimento.

Podemos se referir à política de forma pejorativa, ligando-o aos casos de corrupção no estado – ou “politicagem” – onde não se observa uma separação entre os interesses públicos e os interesses privados. Neste caso tem-se em mente exatamente a concepção de política ligada ao governo da cidade, levando-se em conta os interesses de todos.

O poder

Todos os indivíduos tem poder. Pode ser o poder de produzir algo, de consumir, de seduzir, de comandar, de manipular, entre muitas outras possibilidades. A palavra poder vem do latim potere, que significa “ser capaz de”.

Assim podemos dizer que poder é a “capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou grupos humanos”. Levando-se em conta essa concepção não é difícil perceber que o poder é uma relação entre indivíduos ou grupos de indivíduos, sempre exercido por alguém e sobre alguém.

Poder e força

Para que alguém tenha a possibilidade de exercer o poder é necessário que ele tenha a força necessária para tanto. A força não e somente física como pode parecer, ela pode ser também, por exemplo, psíquica ou moral.

Assim a força diz respeito aos meios necessários para se influir no comportamento de outro indivíduo. A força pode ser, por exemplo, o charme de uma pessoa em um relacionamento, ou o carisma de um indivíduo em relações de amizade. O poder se faz valer por meio da força.

Contudo, o grande problema é que a força tende a se degenerar. Assim, é comum a força física se transformar em coerção, ou a força psíquica e moral podem se transformar em ideologia. Ou em outro exemplo no caso do amor, o medo da perda, o ciúme, o desejo de controle degeneram o poder e a força originários da atração amorosa e transformam a relação inicialmente voluntária em obrigação e constrangimento.

Estado e poder

Vimos que existem várias formas de poder e força, mas podemos dizer que a partir da Idade Moderna o Estado surgiu como o representando supremo do poder e do uso legítimo da força. Ou seja, para além do policentrismo típico da estrutura feudal e do “poder espiritual da Igreja”, o Estado moderno tem em sua base a concentração do poder temporal, de forma unitária e exclusiva. Asso, a definição básica de Estado é o “conjunto de instituições que controlam e administram uma nação”. A máxima que sintetiza a ideia do Estado é “Um governo, um povo, um território”.

Assim tendo em vista o uso legítimo da força, podemos dizer que o Estado moderno procura centralizar:

O monopólio da violência, com a utilização, por exemplo, das forças bélicas.

Toda a estrutura jurídica e punitiva.

A cobrança de impostos. Os impostos acabam tendo uma dupla função, por um lado assegurar a manutenção das forças bélicas e da estrutura administrativa e burocrática, e por outro, como verdadeiro símbolo de poder e coesão social.

Burocracia e administração, como, por exemplo, o sistema educacional, de comunicações, saúde, etc.

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