Revolução Russa (6 de 6): O governo de Stálin (1924-1953)




Stálin assumiu integralmente o controle do Partido Comunista, supervisionando todos os sovietes. Cassou de forma impiedosamente todos que minimamente se mostrassem uma ameaça, utilizando-se amplamente da polícia política. Quem não o defendeu desde o primeiro momento foi perseguido, expulso e processado, depois que ele assumiu o poder. Dos 139 eleitos ao Comitê Central no ano de 1924, 98 acabariam fuzilados, acusados de traição, espionagem e outros crimes, nos dez anos seguintes. Dos 394 membros do Comitê Executivo da Internacional Comunista em janeiro de 1936, apenas 171 viviam em abril de 1938. As perseguições não tinham fronteiras: feitas as contas, Stálin ordenou mais execuções de membros do Partido Comunista Alemão que Hitler.

Perseguiu Trotsky, forçando-o a se isolar no México em 1929, onde foi assassinado em 1940. Durante a década de 1930 afastou todos os potenciais opositores, julgando, condenando, executando e exilando seus supostos inimigos (na Sibéria), o que ficou conhecido como “expurgos de Moscou”. Milhares de pessoas foram encaminhadas para os campos de trabalho forçado, as Gulags (Glavnoe Upravlenie Lagerei, ou "Administração Central dos Campos"). Tratava-se de uma rede de campos de prisioneiros, onde condenados por crimes contra o Estado eram isolados e submetidos a trabalhos forçados. "No maior deles, em Kolyma, 3 milhões de pessoas morreram", diz Anne Applebaum, jornalista americana autora de Gulag - A History.

Os presos chegavam famintos e fracos após até três meses de viagem amontoados em vagões de gado e, depois, em porões de navios cargueiros. Ficavam dias sem água ou comida. À noite, mulheres eram atacadas pelo “bonde de Kolyma”, estupradores que subornavam guardas para entrar nos porões femininos, contam sobreviventes no livro Gulag. Muitos zeks morriam no trajeto.

O dia começava antes das 3h30. Um toque de sirene tirava os presos dos beliches coletivos – antes do trabalho, eles tomavam kasha (mingau de trigo). A quantidade de comida do dia dependia do cumprimento da meta de trabalho. Quem atingia a difícil cota ganhava 550 g de pão, 75 g de trigo ou macarrão, 15 g de carne e 500 g de batata. Os demais conseguiam metade da ração.

Os presos trabalhavam no mínimo 12 horas por dia, com intervalos de 5 minutos às 10h e às 16h e uma hora de almoço ao meio-dia. Presos comuns tinham uma folga por semana e os de regime severo, duas ao mês. Eles só podiam largar o batente quando a temperatura caía a 50 graus negativos. Com dedos congelados, eram comuns os acidentes: mais de 60 mil por dia no gulag.

Fugir era quase impossível. Segundo a jornalista Anne Applebaum no livro Gulag, guardas tinham ordens de atirar para matar quem atravessasse o arame farpado e entrasse na “zona da morte”. Há relatos de poucos presos que conseguiram fugir e levaram um outro zek desavisado para servir de alimento – sim, praticaram canibalismo porque não havia comida fora dos campos.

As primeiras levas de prisioneiros começaram a chegar durante a guerra civil, de 1918 a 1921, quando monarquistas e republicanos apoiados pelas potências estrangeiras tentaram derrubar o governo bolchevique. Mas, desde aquela época, nem só contra-revolucionários acabavam hóspedes do Gulag. A policia secreta (cuja sigla mudaria de GPU, para OGPU, NKVD e finalmente KGB) tratou de alimentar os campos com todo tipo de gente que pudesse ser minimamente resistente ás novas regras: anarquistas, sionistas e descontentes em geral eram considerados espiões. Com o tempo e a ascensão de Stálin ao poder, o conceito de inimigo foi ficando cada vez mais amplo. "Proprietários rurais que resistissem à coletivização de suas terras, por exemplo, acabavam presos. Entre 1930 e 1933, Stálin mandou 2 milhões deles para a Sibéria", afirma Applebaum. Nessa época, os Gulag se transformaram no motor do crescimento industrial da União Soviética. Em turnos de até 30 horas, os prisioneiros construíram estradas, aeroportos e campos de petróleo. Segundo a jornalista, ex-correspondente da revista The Economist na Europa Oriental, foi em 1937, quando a repressão stalinista chegou ao ápice, que os Gulag se tornaram campos de execução. "Somente a ordem número 00485 da NKVD, contra •desviantes e grupos de espionagem•, resultou na prisão de 350 mil pessoas, dos quais 247 157 foram fuzilados - entre eles, 110 mil poloneses."

Os prisioneiros eram impedidos de revelar o próprio nome. Para evitar que soubessem o nome dos vizinhos das outras celas, eram chamados por uma letra do alfabeto. O guarda gritava G, por exemplo, e todos que tivessem sobrenomes começando com essa letra deveriam se levantar para interrogatório. A pressão psicológica era enorme e os suicídios, comuns. Oficialmente, 2 749 163 morreram nos campos e no exílio. Os campos começaram a ser desmantelados após a morte de Stálin, em 1953, mas alguns resistiram até os anos 80. Só em 1987, Mikhail Gorbachev - neto de prisioneiros do Gulag - decidiu tirá-los do mapa.

(trechos retirados do Guia do Estudante)

Stálin instituiu o que se costuma chamar de “culto à personalidade”, onde se procura continuamente reforçar a imagem do líder e, em contraposição apagar e denegrir a imagem dos opositores. Trata-se da personificação do poder, com a utilização de uma máquina propagandística extremamente eficiente, transformando Stálin em um mito: amar o país era o mesmo que amar Stálin. Ao mesmo tempo, aparecer ao lado de Lênin era uma forma de posar como seu legítimo sucessor e de herdar a popularidade do líder. Stálin mandou produzir estátuas, pinturas e fotos falsas, forjando uma proximidade entre os dois que nunca existiu.

Stálin chegou a escrever livros sobre a história do socialismo. O mais importante deles, o Curso Resumido, tornou-se o principal guia para a educação política do povo soviético e contém inúmeras auto referências a sua genialidade e sabedoria. A edição de 1938 saiu com 43 milhões de exemplares. Criou o “Prêmio Stálin” para patrocinar artistas alinhados com o regime e um concurso para escolher o novo hino nacional. A letra vencedora, que ele mesmo aprovou, criada por Mikhalkov e Registan, dizia: “O grande Lênin iluminou nosso caminho e Stálin nos fez leais ao povo”.

No campo econômico Stálin abandonou a NEP e iniciou a socialização total com a adoção dos planos quinquenais, que tinham como objetivo industrializar e modernizar a União Soviética. No meio rural foi feita a coletivização, utilizando-se fazendas estatais (sovkhozes) e cooperativas (kolkhzones).


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