Revolução Industrial (2 de 5): O pioneirismo da Inglaterra




E interessante perceber, que apesar do pioneirismo inglês, a França era na verdade superior em tecnologia. Nesse sentido, ao contrário do que se costuma pensar, o pioneirismo inglês não se deve a uma suposta supremacia tecnológica e científica. Na verdade, a tecnologia – e em especial o tear e a maquina a vapor – já existiam antes do período de maior desenvolvimento da revolução industrial. 


Mas a Inglaterra tinha alguns fatores que a favoreciam esse lançar-se a aventura industrial moderna:

Em primeiro lugar, um objetivo muito claro: o liberalismo que primava pelo lucro privado e desejo do desenvolvimento econômico. Na Inglaterra, política, lucro e até preceitos religiosos já andavam lado a lado, uma vez que o protestantismo calvinista não condenava o lucro e pregava uma vida voltada para o trabalho. 

Em termos políticos a Inglaterra acabara com o absolutismo após a Revolução Gloriosa, em 1688, tendo início um governo liberal burguês comandado pelo Parlamento. O Estado inglês estava totalmente comprometido com o enriquecimento da burguesia, e a própria aristocracia (que diferentemente da França não tinha privilégios) via ou se envolvia com as atividades comerciais e com as promissoras atividades industriais. 

Os proprietários comerciais tinham o monopólio das terras, obtido ao longo de bastante tempo através da prática dos cerceamentos (enclosures), que por um lado, levou ao campo inglês a noção de aproveitamento das terras (com novos métodos de criação de animais e cultivo do solo) tendo em vista a finalidade de aumentar a produção e os lucros. 

Para ter uma ideia por volta de 1700 estima-se que metade dos campos ingleses eram terras comuns; no final do século elas praticamente não existiam mais.

Por outro os cerceamentos dos campos forneceu um importante e crescente excedente de trabalhadores que eram desalojados da sua forma de vida ligada ao campo e se dirigiam para a cidade, engrossando a camada de trabalhadores em potencial, ou como Marx chamou, de um grande exército de mão-de-obra reserva (entre 1700 e 1800, Londres era a cidade mais populosa do mundo).  
Existia na Inglaterra uma grande quantidade de capitais acumulados e um mercado consumidor em expansão, tanto internamente – uma vez que a Inglaterra passou no século XVIII de uma população de 6 para 18 milhões de habitantes – como externamente, com o seu vasto império colonial e com a possibilidade de grande expansão (deve-se destacar que a Inglaterra era uma potencia naval e comercial, com uma extensa rede comercial mundial). 

Disponibilidade de carvão e ferro e algodão, as três principais matérias-primas que impulsionaram a produção industrial. O carvão era fundamental como combustível para aquecer as caldeiras que transformavam a água em vapor; calcula-se que por volta de 1800 a produção carvoeira inglesa representava 90% da produção mundial. O ferro, de fundamental importância no processo revolucionário, passou a ser utilizado na construção de trilhos, locomotivas, máquinas, navios e pontes. 

Enfim a Inglaterra estava preparada para fornecer lucros fantásticos para quem ousasse expandir a sua produção rapidamente e, não obstante acenava com a possibilidade de um mercado mundial monopolizado, por ela, que se tornaria por um bom tempo a maior das nações produtoras, ou seja, a Revolução Industrial é também a predomínio do mercado exportador sobre o mercado doméstico. 

E a primeira indústria a se revolucionar foi a do algodão. Como foi visto, no campo inglês já havia se arraigado uma mentalidade suficientemente voltada para o lucro; além disso, as inovações técnicas necessárias para a indústria do algodão eram relativamente simples e o mercado monopolizado pela Inglaterra. 

É bem possível que a indústria do algodão tenha sido a primeira a se revolucionar pelo fato de se constituir enquanto um bem de consumo. No caso dos bens de capital (como ferro e equipamentos) a situação era bem diferente uma vez que ainda não existia um mercado consumidor disponível. Foi somente no decorrer da Revolução Industrial que isso aconteceu, e neste caso, a máquina a vapor e as ferrovias tem um papel preponderante. 

A máquina a vapor foi aperfeiçoada em 1765 por James Watt. O uso do vapor possibilitava substituir a força muscular ou as forças associadas à natureza (vento, água) pela energia mecânica. Foi a partir daí que o barco a vapor e a locomotiva se tornaram pouco menos irreal. 

Menos irreal, porque quem investia na construção de ferrovias não eram homens de negócios propriamente ditos, mas sonhadores. Foi o grande acúmulo de capitais gerado nas primeiras décadas da revolução que originou um excedente para ser investido. As ferrovias significavam um grande sorvedouro e ao mesmo tempo uma aplicação positiva. Exercia um grande fascínio pela sua grandiosidade e simbolizava uma nova era, marcada pelo progresso tecnológico e pelo acúmulo desenfreado de capitais. 

A partir de 1807 com o desenvolvimento do primeiro barco a vapor o transporte de passageiros, cargas e correspondência tornou-se gradativamente regular, na medida em que não mais dependia da ação dos ventos. Tratava-se uma revolução que se traduzia em um “encurtamento” fantástico das distâncias. Esse fascínio pode ser medido pela velocidade da locomotiva a vapor, que foi desenvolvida em 1814 por George Stephenson; para ter uma ideia, uma viagem no interior da Inglaterra, que antes levava 12 dias poderia ser vencida em menos de três dias. 

As duas imagens abaixo fazem referência a expansão da indústria de bens de produção durante a Revolução Industrial, em especial as ferrovias. Na primeira imagem temos um mundo movido à tecnologia a vapor, e na segunda uma referência a expansão da rede ferroviária na Inglaterra. Do começo do século XIX, as imagens apontam todo a entusiasmo frenético em relação ao maior símbolo da Revolução Industrial.


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Imago História

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