Origens do Fascismo (1 de 2) - A tomada de poder na Itália e na Alemanha


Vale destacar que o fascismo foi criado na Itália no final da década de 1910, uma década antes do seu congênere alemão, o nazismo. Ao mesmo tempo postura ideológica e partido político tinha como seu grande líder Benito Mussolini, que vai se tornar primeiro-ministro italiano no começo da década de 1920. 


A palavra fascismo deriva de “fascio”, que diz respeito a um machado que tem o cabo rodeado de varas, símbolo da época do Império Romano para designar o poder do “grupo”, do Estado e a unidade do povo em relação ao Estado (quando um oficial de justiça ia cumprir uma sentença levava o fascio consigo para lembra o poder que lhe era atribuído pelo estado e pelo conjunto dos indivíduos). Uma frase proferida por Mussolini define muito bem a essência do fascismo: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. 


Mussolini vai chegar ao poder por meio de um golpe de estado, conhecido também como a “marcha sobre Roma” em 1922. Foi de fundamental importância no golpe de Mussolini o amparo das “camisas-negras”, braço paramilitar dos fascistas que terão a função de perseguir todos os opositores, como, por exemplo, os comunistas (não deixa de ser curioso que Mussolini tinha pais marxistas e o próprio nome e uma homenagem a um revolucionário mexicano).

Na Alemanha, a ascensão do fascismo está ligada, por um lado, à culpabilidade imputada à Alemanha – que foi tida como a única responsável pela Primeira Guerra Mundial – o que acabou criando um grande ressentimento na população alemã, e por outro, às terríveis limitações impostas pelo Tratado de Versalhes que vai acabar arrasando as possibilidades da economia alemã, abrindo brechas para o prevalecimento no nacional socialismo na Alemanha, em especial no pós Crise de 1929, que irá arrasar a economia alemã abrindo espaço para o crescimento de propostas radicais. 

Mapa da década de 30 mostra á Alemanha com seu exército de no máximo cem mil homens de acordo com o Tratado de Versalhes cercada por vizinhos pesadamente armados.

Em 1919 é fundado o Partido Trabalhista Alemão, que se converteria mais tarde no Partido Nacional-Socialista (ou Nazista), que será utilizado por Hitler para centralizar o poder em suas mãos. Entre as críticas apresentado pelo Partido Trabalhista Alemão estava exatamente o Tratado de Versalhes, e as inúmeras cláusulas que puniam e humilhavam a Alemanha. 

Em 1923, como resposta a suspensão do pagamento da dívida alemã, a França invade o Vale do Ruhr, importante complexo siderúrgico. Em resposta os nazistas tentam dar um golpe e derrubar o governo alemão, mas acabam fracassando. Hitler acaba preso, e durante os meses em que permaneceu preso escreveu seu manifesto “Mein Kampf” ou “Minha Luta” onde apresentava e defendia suas ideias antissemitas, anticomunistas e a conquista do “espaço vital” para o suposto desenvolvimento da Alemanha.

Ao sair da prisão (poucos meses após ser preso, com a colaboração de um juiz simpático aos nazistas) Hitler em conjunto com os nazistas trata de organizar o partido e seus braços paramilitares, que constituem o embrião da SA e SS nazistas.

• SA Nazista – trata-se em sua origem, de uma milícia nazista composta por toda sorte de pessoas com o objetivo expresso de perseguir os inimigos dos nazistas. A SA não era totalmente dócil aos interesses de Hitler, que tinha muitas reservas em relação à fidelidade absoluta e irrestrita das tropas.

• SS Nazista – Hitler criou a SS exatamente como um contraponto a SA. A SS, que pode ser definida como “tropas de proteção” se constituíam enquanto um exército particular de Hitler. Composta por homens selecionados e disciplinados se transformou em um grande exército com quase um milhão de homens, incorporando, inclusive a famosa e temível Gestapo nazista (polícia política nazista).

Galgando o apoio dos trabalhadores, criticando as imposições dirigidas a Alemanha, culpabilizando o judeus, criando a mito de que a Alemanha nunca fora derrotada na Grande Guerra, a verborreia de Hitler iludia, confundia, atraía e excitava cada vez um número maior de pessoas. Hitler passava a ser visto como o possível “salvador da Alemanha”, como a liderança infalível que apregoava no Mein Kampf. 

Führer, nós vamos te seguir!

Como o golpe de 1923 não havia dado certo, Hitler vai buscar conquistar o poder se utilizando dos expedientes democráticos. Com o partido estruturado Hitler faz inúmeras viagens pelo país, fortalecendo e divulgando a imagem do partido e a sua liderança pessoal. As marchas dos nazistas e a máquina de propagando disseminavam uma imagem de vitalidade dos nazistas para boa parte da população alemã.

Assim, em 1930, passando pelos efeitos desastrosos da crise de 1929, o Partido Nazista consegue entoar seu cântico nacionalista conseguindo o expressivo número de 107 cadeiras no Parlamento.

Dando continuidade ao seu projeto de tomado do poder, em 1932, Hitler disputa as eleições presidenciais com Hindenburg, acaba perdendo, mas recebe uma expressiva votação. Se Hitler não ascendeu ao principal posto, o Partido Nazista conseguiria uma grande expressão no Parlamento, com 230 cadeiras. 

Antes Desemprego, desesperança, desolação, greves. Hoje Trabalho, alegria, disciplina, camaradismo. Dê ao Führer seu voto!

Sob seu comando os parlamentares nazistas obstacularizavam qualquer votação colocada em questão no Parlamento alemão. Pressionado, o presidente alemão é obrigado a indicar Hitler ao cargo de Chanceler em 1933.

Foi questão de tempo, e na verdade, pouco tempo, para Hitler utilizar a vantagem que tinha no Parlamento a seu favor e obter plenos poderes. Em 1934 Hindenburg morre e Hitler passa a acumular os cargos de chanceler e presidente. 

Em sua escalada de poder Hitler acaba se voltando contra as próprias lideranças nazistas que poderiam se apresentar enquanto ameaça à sua liderança incontestável. Em 30 de junho de 1934 Hitler ordena a execução de 200 seguidores nazistas, no que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais, incluindo Ernst Rohm.

Era o fim da República Alemã. No lugar do federalismo, agora o poder estava concentrado com a então liderança incontestável. Sob a suástica nazista, o Terceiro Reich iniciaria o seu período de imenso terror. 

"Na mais profunda necessidade, Hindenburg escolheu Adolf Hitler para Chanceler do Reich. Você também deverá votar na Lista 1."

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