Colonização espanhola da América (2 de 3) - Organização econômica


No campo econômico coroa espanhola estruturou sua área de dominação tendo em vista o comprimento de seu principal objetivo: explorar as riquezas do novo continente, em especial, os metais preciosos. Nesse sentido, valeu amplamente da mão-de-obra dos indígenas, o que garantia um grande contingente de trabalhadores.

O relacionamento econômico entre a metrópole e a colônia ficou conhecido como “Pacto Colonial”. Essa relação previa, por um lado, a exploração monopolista das riquezas da colônia, que eram remanejadas para a Europa gerando imensos lucros; por outro, dizia respeito ao controle da venda das mercadorias europeias na América, o que, igualmente, gerava imensos lucros. Como se pode perceber a expressão “Pacto Colonial” é incorreta uma vez que a relação entre metrópole e colônia era assimétrica e baseada no exclusivismo comercial, ou seja, quem sempre saia ganhando era a metrópole, ou então a elite local colonial, que detinha as principais atividades econômicas na América. Não se tratava, portanto, de um pacto, mas sim de uma imposição.

Com a proibição da escravização dos indígenas americanos, que aconteceu em 1542 (através das “Novas Leis”) os espanhóis passaram a adotar o trabalho compulsório, ou seja, apesar de não ser escravo os indígenas continuavam sendo obrigados a trabalhar em prol do enriquecimento dos espanhóis e da elite local. As principais formas de trabalho forçado foram o repartimiento, a encomienda e a mita.

  • Repartimiento – cada comunidade indígena deveria fornecer uma quantidade de trabalhadores para executar atividades para a coroa espanhola. Esses indígenas eram encaminhados a um juiz repartidor, que disponibilizava os trabalhadores para os interessados. Na prática, o repartimiento favoreceu amplamente os altos funcionários da coroa espanhola, que enriqueciam a custa da exploração do trabalho indígena.
  • Encomienda – como prêmios por seus grandes esforços na conquista do novo mundo, muitos adelantados poderiam ser agraciados através da encomienda. Essa força de trabalho compulsório previa a entrega de comunidades indígenas inteiras (em encomenda, ou seja, aos cuidados) de determinados conquistadores, por exemplo. Esses ficavam responsáveis pela catequização, proteção e pelo pagamento de seus tributos à Coroa, contudo, em contrapartida, exigiam prestação de trabalho e tributos em gêneros.
  • Mita – característica da região do Império Inca estabelecia que as regiões dominadas enviassem periodicamente homens para prestar serviços. Depois de alguns meses esses homens retornavam às suas comunidades, que deveriam encaminhar um novo grupo de homens.

O maior êxito econômico espanhol na América se refere à extração metálica. Estima-se que nos primeiros 150 anos de colonização espanhola tenha sido produzido algo em torno de 25 milhões de quilos de prata. Sendo que a maior parte dessa produção foi parar nos cofres da coroa espanhola ou nas mãos sedentas da burguesia metropolitana. A respeito do papel que os indígenas desempenharam nessa exploração, o Frei Domingo de Santo Tomás afirmou no século XVI: “Não é prata o que se envia à Espanha, é suor e sangue dos índios”.

Com o declínio da exploração de minérios, que aconteceu no século XVII (em grande parte devido à tragédia demográfica dos índios na América) se desenvolveu em várias áreas a pecuária ou a agricultura baseada na plantation, com a monocultura voltada para o mercado externo e a utilização de escravos, de origem africana.
 Acima uma ilustração que retrata um encomendero maltratando um indígena.


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Um comentário:

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