O trabalho e a Revolução Industrial


A revolução industrial vai alterar drasticamente a relação dos homens com o seu trabalho, a forma de se produzir às mercadorias, incorporando-se até mesmo uma nova disciplina em relação aos espaços públicos e privados e em relação à própria temporalidade. 

Como vimos, na produção artesanal, todas as etapas de produção são realizadas na maioria das vezes por uma única pessoa. O artesão até poderia ter auxiliares, mas ele conhecia todas as etapas para a confecção do produto, era dono das ferramentas e tinha acesso ás matérias primas necessárias, ou seja, ele detinha os meios necessários e o conhecimento em relação a todas as etapas de produção. Além disso, antes das transformações introduzidas pela Revolução Industrial, era o artesão quem decidia quantas horas trabalharia por dia, isto é, era ele quem controlava o tempo e a intensidade do trabalho. 

Contudo, essa situação se alteraria no decurso da Revolução Industrial, onde as capitalistas e industriais fariam uso de um sistema de produção que já estava sendo utilizado e que é característico da transição do feudalismo para o capitalismo: a manufatura. 


Na manufatura, o capitalista reúne um numeroso contingente de trabalhadores em um espaço comum, uma oficina. Apesar de o trabalho ser essencialmente manual, cada um dos artesãos realizava uma etapa da produção da mercadoria: é o que chamamos de divisão técnica do trabalho. O artesão já não era responsável pelo produto do seu trabalho, ao contrário, recebia um determinado salário pelo seu tempo de dedicação ou por sua produtividade. A manufatura tinha como objetivo a potencialização dos lucros, mas, ao mesmo tempo, o controle rígido dos trabalhadores. 

O modelo da manufatura será propício ao capitalismo industrial que vai se desenvolver especialmente na Inglaterra no final do século XVIII. A partir da manufatura, com a introdução das máquinas e a objetividade suprema do lucro, o capitalista fomentará a fábrica, massificando a produção e aumentando extraordinariamente o ritmo da produção das mercadorias. 

O grande símbolo da Revolução Industrial é máquina a vapor, aperfeiçoada em 1765 por James Watt.. O uso do vapor possibilitava substituir a força muscular ou as forças associadas à natureza (vento, água) pela energia mecânica. Foi a partir daí que o barco a vapor e a locomotiva se tornaram um sonho possível. 

Contudo, a competição proporcionada pelo vertiginoso desenvolvimento da indústria levou a uma redução da margem de lucro. Era necessário aumentar a margem de ganho dos industriais, e com essa finalidade se se utilizava determinadas estratégias: 

· Substituição da mão-de-obra masculina pela feminina e infantil, com a finalidade de reduzir custos. Utilizavam-se crianças com idades inferiores à de oito anos, a troco muitas vezes de alojamento e comida. 

· Outra estratégia para manter o operário no trabalho era pagar tão pouco, de forma que ele teria que trabalhar durante toda a semana para obter uma renda mínima para a sobrevivência. 

· Existiam ainda as workhouses, que eram “casas de trabalho”. Trata-se de um local público para onde eram encaminhados os desempregados, onde ficavam confinados à espera de trabalho. Essas pessoas eram disponibilizadas para os industriais como uma mão-de-obra baratíssima, quase escrava. 

Aqui, já podemos perceber alguns dos principais reflexos dos primeiros tempos da Revolução Industrial: 

· A precarização das condições de trabalho, com jornadas de até 16 horas por dia e sem quaisquer direitos trabalhistas. 

· A expansão de uma grande massa de indivíduos despossuídos, ou também conhecidos como proletariado. O termo proletariado vem do latim proles, que se refere exatamente à progênie. Nesse sentido, o proletariado é aquele que não tem nada, apenas a sua força de trabalho, que vende para sobreviver, ou seja, o produto de seu trabalho e o seu próprio trabalho não lhe pertence. 

· Na medida em que se formava uma massa de proletários, se acentuava uma grande e profunda diferenciação entre esses despossuídos e os cada vez mais enriquecidos. Trata-se talvez da maior segregação da história, baseada na diferença em relação à riqueza e possibilidades de vida. 

· Desenvolvimento do Imperialismo com a finalidade de garantir fornecedores de matérias-prima e potenciais mercados consumidores. 

· O desenvolvimento da ideologia socialista. No socialismo não existiria propriedade privada e teoricamente as desigualdades sociais seriam abolidas na medida em que o resultado coletivo do trabalho seria dividido de forma mais equilibrada. 

· Aperfeiçoamento dos sistemas de transporte com longas distâncias sendo percorridas em pouco tempo. 

· Intenso êxodo rural, motivado pela busca de trabalho nas indústrias que se instalavam nas cidades e o conseqüente crescimento desordenado dos centros urbanos. 

· O péssimo ambiente das fábricas – sujo, escuro, com poucas condições de ventilação, muitas vezes sem banheiros e permeado por constantes ameaças e castigos – levou inúmeros operários a se revoltarem com as péssimas condições de trabalho, com movimentos de contestação como o Luddismo e o Cartismo. 



Na imagem acima destaca-se o trabalho das crianças durante a época da Revolução Industrial, uma das estratégias utilizadas para aumentar a mais-valia.


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Imago História

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