Os Persas


Os persas viviam no norte da Mesopotâmia, no planalto iraniano, e por muito tempo foram dominados por povos da região dos rios, como os assírios. Após o esfacelamento do reino dos assírios, os persas (ou aquemênidas) dariam início a um processo de expansão que formaria o maior império conhecido até então, com impressionantes 8 milhões de km2 de extensão, controlando regiões que compreendem o Oriente Médio, a Turquia, o Cazaquistão e parte da Índia. Pode-se dizer que os persas foram os verdadeiros donos do mundo antigo, entre 550 e 336 a.C., e só não se tornaram ainda maiores porque foram barrados pelos gregos quando chegaram à Europa.

Por volta do ano 550 a.C. o rei Ciro II vai subjugar medos, agrupar suas tropas e fazer uma grande investida contra a região do rio Eufrates, dominando a Babilônia e estendendo o domínio Persa por uma ampla região, incluindo a Mesopotâmia, a Palestina à Ásia Menor e a Índia. Ciro foi conhecido por sua tolerância e capacidade de se aliar com as elites dos locais conquistados, estabelecendo uma relativa estabilidade para os territórios conquistados. Com a morte de Ciro, quem assume o poder é Cambises, conhecido por incorporar o Egito aos domínios persas. 

O período de maior florescimento da civilização persa ocorreu no reinado de Dário I (524-484 a.C). Dario, que reinou 35 anos, e se preocupou principalmente com a consolidação das conquistas: esmagou as revoltas, fortaleceu o controle das imensas fronteiras, construiu duas novas capitais (Persépolis e Susa, além de Pasárgada, que remontava a época de Ciro II) e aperfeiçoou a administração dos territórios conquistados, adotando a lógica “dividir para melhor controlar”, repartindo o território conquistado em 23 satrápias (que nada mais eram que províncias). 

As satrápias deveriam pagar imposto para Dario I e o recolhimento desses impostos ficava a cargo dos sátrapas, que eram administradores locais, vinculados aos governantes locais, que normalmente eram os próprios líderes dos povos conquistados. 

Pensando no controle de suas províncias, Dário construiu estradas que ligavam as principais cidades do império, favorecendo a comunicação, o comercio, o transporte de cargas e o deslocamento de tropas. As estradas eram pavimentadas com pedras (como a rota imperial com 2,5 mil km) e possuíam entrepostos que ofereciam alimentação e hospedagem a cada 30km. Aproveitando sua ampla e sofisticada rede de estradas formatou um eficiente modelo de correios (com postos preestabelecidos ao longo das estradas para a logística necessária, como a troca de cavalo) fazendo com que mensagens que antes levavam meses cumprissem seus percursos em poucos dias. Implantou ainda, uma unidade monetária (Dárico) que facilitava a fixação de um padrão para o recolhimento de impostos e comércio (provavelmente o primeiro padrão monetário da história). 

Como os sátrapas possuíam certo poder local, era necessário de alguma forma criar um instrumento para fiscalizar a administração e principalmente o recolhimento de impostos. Para minimizar a possibilidade de sátrapas que pudessem governar de forma totalmente autônoma, Dario vai criar o que é tido como uma espécie de polícia secreta, possivelmente a primeira da história, que tinha a função de fiscalizar “espionar” e transmitir informações diretamente para o imperador, trata-se “dos olhos e ouvidos do rei”. 

Contudo, o que mais ajudou o controle dos territórios conquistados, foi a capacidade que os persas tinham de tolerar culturas e religiões diferentes, permitindo que os grupos sob seu domínio mantivessem seus costumes e, inclusive, muitas vezes cedendo territórios para os reis conquistados. Esse era um dos motivos pelo qual ele se denominava “rei dos reis”, o que demonstra tanto a sua grandeza quanto a importância que os persas davam a quem haviam subjugado. Essa política tinha como objetivo criar alianças que possibilitasse a arrecadação dos impostos sem o temor de represálias ou o desejo de vingança dos povos dominados (é claro que muitas vezes os líderes persas cometiam atrocidades como os antigos monarcas: assassinatos ou desmembramentos de rivais faziam parte das conquistas).

Durante a época de Ciro II, por exemplo, os judeus puderam retornar para sua Canaã, depois de um longo período de escravização pelos caldeus (Babilônia). Ciro II tornou-se um dos raros monarcas estrangeiros a ter seu nome citado na Bíblia de forma positiva e é por isso que os escritores do Velho Testamento se referem ao rei persa como uma “ferramenta de Javé”. Libertaram, também, os fenícios do cativeiro babilônico, que retribuíram colocando sua tecnologia naval a disposição dos persas.

O grande poder dos imperadores persas era sustentado por uma classe de sacerdotes, pelos sátrapas e principalmente, por um exército poderoso, que atendia à ambição expansionista dos imperadores. O exército persa era formado por mercenários, e os combatentes somente lutavam se tivesse o seu pagamento assegurado, o que não constituía um grande problema para os persas. 

Se por um lado, os persas mostravam tolerância em relação à cultura e religião dos povos conquistados, isso não impediu que nos territórios conquistados existisse a servidão, onde a população era obrigada a prestar serviços para o Estado.

Os persas acreditavam em uma religião dualista, conhecida como Masdeísmo ou Zoroastrismo (por ocasião do seu provável fundador Zoroastro). Para eles existiam duas divindades primordiais, o deus do bem (Ormuz Mazda) e o deus do mal (Ahimã). O imperador persa, é claro, representavam a o bem e se achava no direito de levar esse “bem” para todo o mundo, através de conquistas militares. Por incrível que possa parecer, os persas não viam a guerra como algo positivo, mas, por outro lado, achavam que a melhor forma para se acabar com todos os conflitos seria conquistando e governando todos os povos do mundo inteiro, ou seja, os fins justificavam os meios. 

Foi a ambição por territórios que levou os persas a empreenderem grandes guerras contras os gregos, as chamadas Guerras Médicas, que permearam todo o século V a.C. Os gregos não aceitavam a dominação persa, o que fez com que Dario I organizasse um grande exército e marchasse em direção ao mediterrâneo com o objetivo de esmagar Atenas e as demais cidades gregas. Os gregos derrotaram o grande exército persa, que tinha mais de 100 mil homens. 

Com a morte de Dario I, seu filho Xerxes vai organizar um novo exército e marchar novamente em direção à Grécia. O exército persa vai ser barrado por dois dias por uma pequena quantidade de guerreiros liderados pelos espartanos, tendo como seu grande líder Leônidas. Mesmo com a bravura dos espartanos, Xerxes consegue invadir Atenas, mas nesse meio tempo a sua população havia sido retirada para a ilha de Salamino, pelo grande Temístocles. Os persas tentaram chegar a Salamino, mas as rápidas trirremes gregas derrotaram as embarcações persas no mar. 

As duas derrotas dos persas para as cidades gregas levarão, em longo prazo, ao desmoronamento do Império Persa, que, posteriormente, será conquistado por Alexandre o Grande.

Persépolis, a cidade dos Persas recriada a partir dos indícios arqueológicos.

As conquistas do Império Persa.

O grande Dário I.

As ruínas arqueológicas de Persépolis.


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