As Cruzadas (1 de 2)


Trata-se de uma série de expedições militares estimuladas e organizadas pela Igreja com o intuito de combater os inimigos do cristianismo e de libertar a Terra Santa do domínio dos turcos, considerados infiéis. Incentivadas e legitimadas pela Igreja por meio da idéia de “guerra santa”, ou seja, uma guerra autorizada por deus – onde os combatentes receberiam recompensas divinas, inclusive, a salvação da alma – o movimento se estendeu desde finais do século XI até meados do século XIII. 

O próprio termo “cruzadas” é representativo da importância da Igreja no movimento uma vez que faz referência aos “soldados de Cristo”, ou os cruzados, que eram identificados por uma cruz bordado em suas vestes. Tratava-se, sobretudo, de uma ligação entre o indivíduo e o divino, onde os combatentes, automaticamente convertidos em “combatentes de Cristo” poderiam matar os infiéis com o respaldo dos céus, tranqüilos de que não sofreriam nenhuma punição por isso.


Para além da necessidade de livrar a Terra Santa dos mulçumanos, outros motivos levaram a Cristandade a empreender o movimento das Cruzadas, entre esses motivos podemos destacar:

  • A conquista de novas terras em face das relações de vassalagem e do aumento demográfico. O sistema feudal e os laços de vassalagem apresentavam um esgotamento em se tratando da possibilidade da ampliação dos laços de lealdade e fidelidade baseados na doação de terras. Na Europa havia o costume onde o primogênito herdava as terras do nobre. Parte dos filhos nobres sem terra poderia entrar em ordem militares associada à Igreja, ou servir como cavaleiros a outros suseranos importantes, mas, mesmo assim, nem todos poderiam ser incorporados à nobreza em uma posição privilegiada. As cruzadas se mostravam como uma possibilidade para a conquista de terras, que se tornariam propriedades de filhos e parentes que não conseguiam tornarem-se grandes senhores feudais na Europa.

  • As cruzadas consistiam em uma válvula de escape para o contingente de cavaleiros e a crescente e perigosa instabilidade que acompanhava essa sociedade pautada pela honra da cavalaria, mas ao mesmo tempo, pelos sangrentos torneios entre cavaleiros, pelas disputas e guerras entre senhores feudais. Nesse âmbito, a violência deveria ser canalizada para a luta religiosa algures, em Jerusalém, para o bem da cristandade e a salvação das almas cristãs. A Igreja já vinha tentando controlar a violência da cavalaria. No século X foi estabelecida a Paz de Deus, onde os cavaleiros passaram a jurar sobre relíquias sagradas manter a paz e proteger a sociedade; a partir de 1020 foi criada ainda a Trégua de Deus, onde se estabeleceu um calendário para as guerras, com a condenação dos conflitos em dias santos.

  • Interesses mercantis. Tratava-se de expandir o comércio com o Oriente. Os produtos orientais eram muito apreciados pela nobreza e as cruzadas mostravam-se enquanto uma possibilidade de ampliar e dominar o comércio com o Oriente.

  • O desejo dos papas em acabar com o cisma de 1054 que dividiu a cristandade em Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Ortodoxa, sediada em Constantinopla e que tinha na figura do patriarca grego o seu líder. A ambição de Roma era a unificação, colocando novamente os cristãos do Oriente sobre sua autoridade.

  • O desejo de Constantinopla recuperar os seus territórios na Ásia Menor, que estavam sob o domínio dos muçulmanos.

  • O fator psicológico, que pode ser expresso pelo impulso religioso calcado na divina missão de resgatar os locais santos, que levava multidões a um processo de peregrinação espontânea, até mesmo como forma de purifica a alma e obter o perdão pelos pecados cometidos. Em inúmeras situações o papa incitou os cristãos ao conflito, autorizando a matança, desde que as vítimas fossem infiéis. Mais do que isso, a morte em combate levaria a indulgência plena, isto é, a remissão de todos os pecados.
Ao mesmo tempo não se pode desprezar a mentalidade da cavalaria em torno de ideais como coragem e lealdade. Os cavaleiros eram preparados para lutar, e não havia luta mais digna do que a luta por Cristo; além da própria aventura, tipicamente associado com os ideais da cavalaria.

Contudo, para além das alegações religiosas associadas pela Igreja para legitimar o movimento das cruzadas, na visão dos povos islâmicos, os soldados de cristo eram considerados selvagens, atrasados, ignorantes nas artes e nas ciências, absurdamente fanáticos que não hesitam em queimar templos, saquear ou dizimar populações inteiras.

De fato, os cristãos cometeram atos de extrema e impensável crueldade em seu movimento santo. Até entre os próprios cristãos, como no caso do saque de Constantinopla durante a quarta cruzada, no ano de 1204. 

As cruzadas constituem um movimento quase permanente de peregrinação militar em direção à Terra Santa. Contudo, algumas expedições tiveram uma organização especial, sendo a Cruzada Popular seguida de nove outras expedições de grande porte.


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