As Cruzadas (2 de 2) - Visão geral


O incentivo oficial da Igreja para o movimento das cruzadas começou com o apelo do papa Urbano II, em 1095 solicitando que os nobres se organizassem e partissem para o Oriente. A pregação de Urbano II, contudo, deu origem a um movimento popular espontâneo, onde camponeses, mendigos, guerreiros, velhos, crianças e toda a sorte de pessoas de diferentes classes sociais se entusiasmassem com a empreitada. Trata-se da Cruzada Popular, que aconteceu em 1096.

Liderados por um monge conhecido como Pedro, o Eremita, a multidão partiu totalmente despreparada, ocasionando inúmeros saques pelo caminho e massacrando inúmeras comunidades judaicas. Milhares morreram pelo caminho e quando chegaram a Constantinopla estavam esfarrapados e famintos. Preocupado com aquela multidão incontrolável, o imperado bizantino tratou de incentivar os cruzados a atacar os muçulmanos, no que foram evidentemente massacrados. Estima-se que sobreviveram a Cruzada Popular apenas 3 mil cruzados.

Ainda em meados de 1095 parte a Primeira Cruzada (essa oficial), conhecida também como Cruzada dos Nobres. Composta por 35 mil guerreiros e 5 mil cavaleiros, os cristãos, comandados por Raimundo IV, conde de Toulouse, conseguem tomar Jerusalém por volta de 1099, quando retornam a Europa, com um saldo extremamente positivo: a conquista de Jerusalém (transformada em Reino Latino de Jerusalém) e dos Condados de Edessa e Trípoli.

A Primeira Cruzada e a tomada de Jerusalém foram marcadas pela extrema violência dos cruzados, que mataram indiscriminadamente, independentemente de sexo, idade ou fé. A tomada de Jerusalém deve-se em grande parte à desorganização dos turcos, que estavam preocupados com lutas e enfrentamentos internos. Mesmo assim, a presença dos cruzados na Terra Santa foi marcada por sucessivos enfrentamentos entre cristãos e mulçumanos, no que poderíamos chamar de uma guerra de guerrilha.

Muitos cruzados permaneceram na Palestina e formaram ordens militares de caráter religioso, destacando-se em especial a Ordem do Templo (1118), conhecida também como Ordem dos Templários e a Ordem dos Hospitalários de Santa Maria (1190), conhecida como Ordem dos Cavaleiros Teutônicos.

A presença cristã em Jerusalém se estenderia até 1187, quando Saladino (sultão do Egito, responsável pela unificação da Síria e da Mesopotâmia) retomou Jerusalém dos cristãos. À tomada de Jerusalém por Saladino seguiram-se inúmeras levas de cruzados para o Oriente, com avanços e retrocessos em termos de conquistas, mas sem jamais retomar o controle da Terra Santa, que permaneceu em mãos mulçumanas.

A mais famosa dessas empreitadas é a Terceira Cruzada, ou conhecida também como “Cruzada dos Reis” na medida em que participaram comandantes como Felipe Augusto (rei da França), Frederico Barba-Ruiva (imperador do Sacro Império) e Ricardo Coração de Leão (rei da Inglaterra). Os cruzados não conseguiram derrotar as tropas de Saladino, mas obtiveram um acordo: os cristãos, desde que desarmados poderiam visitar a Terra Santa.

No plano europeu as Cruzadas tiveram inúmeras consequências:

  • No plano político tivemos o decréscimo de poder dos senhores feudais e o fortalecimento do poder real.

  • Em termos econômicos tivemos a expansão do comércio com a Ásia e de associações financeiras que possibilitavam o levantamento de recursos para financiar as expedições para o Oriente.

Neste cenário destacam-se as cidades de Veneza e Genova, que auxiliavam no transporte dos cruzados para o Oriente, mas com isso estabeleciam importantes ligações e postos comerciais, transformando-se em verdadeiras potências comerciais. Aos poucos os produtos orientais começam a chegar aos europeus que gradativamente vão se apegando a esse novo padrão de consumo (por exemplo, a utilização do sal no lugar do suor de cavalos para salgar alimentos, os temperos e a seda, muito mais confortável que as roupas de lã, a rapadura – que até virou dote das princesas).

Os saques das cidades orientais estabeleceram a reabertura das rotas comerciais, que inicialmente eram utilizadas para levar o contrabando para a Europa, que era vendido em feiras.

  • De certa forma os movimentos das Cruzadas marcadas pela aventura européia, pelo desejo de conquistas e lucros, e pela missão de levar e afirmar a fé cristã a outros povos e lugares seria vivificado séculos mais tarde na ambição que acompanhou o movimento da expansão marítima européia. Nesse sentido, as Cruzadas são fundamentais na reabertura do Mediterrâneo para a navegação europeia (em especial Veneza e Genova), há muito tempo constrangida frente aos mulçumanos.

  • Domínio de novas tecnologias agrícolas, copiadas dos orientais e que passaram a ser aplicadas na Europa. 
 
 


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