Speer e a Exposição Internacional de Paris, 1937


Nascido em Mannheim em 1905, Speer pertencia a uma geração de profissionais cujas ambições foram modeladas pelas experiências amargas e caóticas da Primeira Guerra Mundial, da Revolução e da hiperinflação. Filho de um arquiteto, e portanto membro da classe média alta educada da Alemanha, Speer estudou com o arquiteto Heinrich Tessenow em Berlim e fez sólidas amizades com outros pupilos de Tessenow. O professor imbuiu-os de uma abordagem livre da arquitetura, sem desposar o modernismo nem tampouco sua antítese, mas enfatizando a simplicidade da forma e a importância de enraizar o estilo na experiência do povo alemão. Como em toda universidade em meados e fim da década de 1920, a atmosfera entre os estudantes era fortemente de direita e, a despeito de sua base liberal, Speer sucumbiu. Em 1931, Hitler discursou para os estudantes de Berlim durante uma reunião de cervejaria. Speer estava na plateia e, confessou mais tarde, foi “levado pela onda de entusiasmo que, como dava para se sentir quase fisicamente, transportava o orador de uma frase para outra. Deixei de lado qualquer ceticismo, quaisquer reservas”
.
Conquistado, Speer aderiu ao Partido Nazista e lançou-se a trabalhar para ele, alistando-se como voluntário na Unidade Nacional-Socialista de Motoristas e sondando, mas não levando a cabo, a possibilidade de entrar para a SS. Em 1932, praticava a arquitetura de modo independente e começou a usar seus contatos no Partido para obter trabalhos. Goebbels pediu seu auxílio para a reforma e redecoração do Ministério da Propaganda, um prédio do grande arquiteto do século XIX Friedrich von Schinkel, que Goebbels havia vandalizado com a ajuda uma gangue de camisas-pardas ao ocupá-lo. Não é de surpreender que Goebbels desdenhasse da tentativa de Speer de preservar o que restava dos interiores clássicos de Schinkel e mandasse o trabalho ser refeito em estilo mais grandioso poucos meses depois de Speer ter completado a obra. Todavia, o projeto seguinte do jovem arquiteto foi mais bem-sucedido. Ao ver os planos desenvolvidos pelo Ministério da Propaganda para a celebração do Dia Nacional do Trabalho no Campo de Tempelhof, em Berlim, em 1º de maio de 1933, Speer reclamou da falta de imaginação, e foi encarregado de melhorá-los. Suas bem-sucedidas inovações, incluindo enormes estandartes, suásticas e holofotes, levaram Goebbels a incumbi-lo de planejar os arredores para o comício de Nuremberg mais adiante naquele ano. Foi Speer que, em 1934, criou o efeito de “catedral de luz” produzido por holofotes voltados para o alto e que tanto impressionou os visitantes estrangeiros. Em breve ele estava redecorando os escritórios do Partido Nazista e reformando os interiores da nova casa de Goebbels em Wannsee, nas imediações de Berlim. Speer sentiu-se energizado pela atmosfera resoluta que cercava os líderes nazistas. Trabalhou com enorme afinco e aprontou as coisas com rapidez. Em pouquíssimo tempo, ainda na casa dos 20 anos, ele havia feito nome entre a liderança nazista.

A morte de Troost, a quem Hitler reverenciava, catapultou Speer para o séquito pessoal do Líder, na medida em que Hitler cooptou o jovem como conselheiro pessoal em arquitetura, alguém com quem ele podia falar sobre seu passatempo favorito sem a deferência que sentia dever a Troost. Speer foi cumulado de atenção, e mudou-se com a família para perto do retiro de Hitler na Baviera, acima de Berchtesgaden. Convidado frequente para a casa de Hitler na montanha, Speer deixou-se levar pelo desejo do Líder de construir prédios monumentais em um estilo derivado em última análise da Antiguidade clássica. Em breve eram-lhe confiados esquemas cada vez mais ambiciosos, muitos deles baseados em esboços que o próprio Hitler havia feito da metade para o fim da década de 1920. Speer foi encarregado de reedificar e ampliar a área do comício do Partido em Nuremberg com uma série de novos prédios construídos mediante alto custo a partir do final da década de 1930, incluindo um estádio com capacidade para 405 mil pessoas, um Salão do Congresso com 60 mil lugares e duas imensas praças de armas, o Campo Zeppelin e o Campo de Marte, ladeadas por fileiras de colunas e com capacidade para 250 mil e 500 mil pessoas respectivamente. Enquanto isso, projetou e construiu o pavilhão alemão na Exposição Mundial de Paris, outra estrutura imensa e bombástica, a maior de toda a feira. Era dominada por uma possante torre pseudoclássica de dez pilastras estriadas, unidas no topo por uma cornija, assomando acima de todas as outras estruturas adjacentes, inclusive o pavilhão soviético, e superada apenas pela Torre Eiffel, situada ao fim da avenida onde se localizavam os pavilhões. Suásticas vermelhas cintilavam à noite nos espaços entre as pilastras. Próximo à torre, o salão principal, comprido, retangular e sem janelas, projetava um senso de unidade monolítica para o mundo exterior. Em uma imagem profética e macabra, seu interior foi comparado por Paul Westheim, um crítico de arte alemão exilado, a um crematório, com a torre assumindo o lugar da chaminé.(Evans, Richard J. O Terceiro Reich no Poder / – São Paulo : Editora Planeta do Brasil, 2010)





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