Revolta da Vacina: O médico ou o monstro?


Desde o século XIX o Rio de Janeiro tinha a indesejável reputação de “túmulo de estrangeiros”. O título se justificava, tendo em vista os permanentes focos de difteria, malária, tuberculose, lepra, tifo, e as terríveis epidemias de varíola e febre amarela, que aterrorizavam os citadinos. Por volta de 1900 o Rio de Janeiro era o principal porto brasileiro, atraindo um grande número de imigrantes para a cidade. Como principal cidade brasileira e capital da República, o Rio deveria ser um atrativo, um cartão postal, mas o que se via era exatamente o contrário, e isso não agradava em nada os modernizadores.

Era necessário, portanto, empreender uma grande reforma na cidade, com a finalidade de torna-se bela, agradável, desobstruindo os focos anti-higiênicos. Fazia-se urgente, retirar do centro da cidade os focos de imundícies, e junto com eles, as pessoas pobres. Assim foram abertas grandes avenidas, que segundo os higienistas permitiam maior circulação do ar. O principal alvo dessa reforma foram os casarões que ficavam no centro da cidade, onde viviam grande número de pessoas pobres, habitando pequenos cômodos. Essas pessoas, que tiveram suas casas derrubadas pelas autoridades – no que ficou conhecido como “bota-abaixo” – trataram de juntar o pouco que sobrou e, sem alternativa, montaram barracões nos íngremes morros que cercam a cidade: era o início da disseminação das favelas.

As reformas modernizadores no Rio de Janeiro incluíam uma campanha de saneamento, levada a efeito pelo médico Osvaldo Cruz, diretor da Saúde Pública. Os procedimentos de combate aos mosquitos causadores de epidemias perturbam a vida privada da população, despertando resistências de várias origens, que chegaram ao ápice com a decretação da vacinação obrigatória, em outubro de 1904. A orientação para os “mata-mosquitos” era a de não perturbar os poderosos e concentrar a ação nas residências populares, e no caso da localização de focos anti-sanitários, tinham respaldo policial para evacuar a casa e eventualmente demoli-la, sem nenhum tipo de indenização para os moradores.

Foi a gota d’água para a população pobre, despejada e humilhada, que num surto espontâneo se voltaram contra os batalhões de visitadores e a força policial, entrincheirando-se em valas no centro da cidade e enfrentando a polícia em um motim que ficou conhecido como “Revolta da Vacina”. Depois de 10 dias o movimento foi debelado e teve início a repressão. Qualquer pessoa poderia ser abordada na rua, e se não comprovasse emprego e residência fixa poderia ser detida, e levada para a ilha das Cobras, onde eram despidos e espancados, para depois serem levados para os confins da Amazônia, sem qualquer tipo de ajuda, somente para desaparecer para sempre em meio à floresta.



O terror dos ratos e dos mosquitos”.
Bambino, Oswaldo Cruz Monumenta Histórica.


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Imago História

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