Descolonização afro-asiática


Na verdade sempre houve intensa resistência das nações afro-asiáticas em relação às práticas imperialistas das grandes potências. Contudo, a supremacia bélica dos europeus fez a diferença no processo neocolonizador, levando continentes inteiros à partilha por parte dos europeus e milhares de pessoas a condição de inferiores ou ao extermínio.

Com o final da Segunda Guerra Mundial se intensifica as lutas dos nativos em prol de sua emancipação. Entre os motivos que favoreceram esse processo pode-se destacar:

  • O enfraquecimento das potências europeias como a França, Inglaterra e Alemanha, que estavam estraçalhadas com o desgaste ocasionado pela Segunda Guerra Mundial.
  • As ideias acerca da autodeterminação dos povos, que deu origem a movimentos como o pan-africanismo, que defende a união e independência de todos os povos africanos.


O despertar do nacionalismo e a atração dos ideais socialistas, que acusava o sistema capitalista de ser o grande causador do processo colonizador. Cabe destacar que a URSS tinha um claro e favorável posicionamento em relação às lutas de emancipação. Ao mesmo tempo, os americanos passaram a tutelar a emancipação de nações afro-asiáticas como forma de extirpar o perigo socialista. 

A descolonização da Ásia e África pode ser descrita a partir de quatro processos distintos: 


  • Em primeiro lugar temos as independências conquistadas por meio da negociação entre a metrópole e as elites das colônias, visando uma gradativa autonomia. 

  • A tentativa por parte da metrópole de exercer um controle sobre todo o processo de emancipação, como foi o caso da Índia e do Paquistão. 

  • As lutas das guerrilhas locais e a tentativa fracassada da metrópole conter os processos de emancipação. 

  • Os acordos entre os interesses da metrópole e as elites conservadoras, onde normalmente o processo de emancipação acabou eclodindo em guerras civis, como no Vietnã. 

Na nova ordem marcada pela disputa entre EUA e URSS os países afro-asiáticos foram pressionados a se alinharam com os grandes blocos que lideravam. A insatisfação de inúmeros países com relação a esse alinhamento incondicional deu lugar à Conferência de Bandung, na Indonésia, realizada em 1955, onde líderes de 29 países declararam a sua neutralidade em relação à Guerra Fria, e a não aceitação da interferência das superpotências nos assuntos internos. 

Há de se observar, contudo, que mesmo durante a Conferência de Bandung, vários países já estavam alinhados com a União Soviética, como no caso do Vietnã do Norte e da China e, da mesma forma, vários países já haviam sido arregimentados pelos EUA, como o Japão. Entre os principais pontos defendidos pela conferência, alguns muitas vezes não foram respeitados, como a solução dos conflitos por meios pacíficos, ou o respeito à justiça, mesmo assim cabe destacar alguns dos mais importantes:


  • Respeito à soberania e integridade territorial de todas as nações. 

  • Reconhecimento da igualdade de todas as raças e nações, grandes e pequenas. 

  • Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país. 

  • Recusa na participação dos preparativos da defesa coletiva destinada a servir aos interesses particulares das superpotências, ou seja, a não aceitação de participar de esforços militares em prol das grandes potências, como a OTAN ou o Pacto de Varsóvia. 

Como já foi visto, o socialismo exerceu grande influência no processo de descolonização da África e Ásia. Já no começo do século Lênin, a grande mente da Revolução Russa, havia feito criticas incisivas ao imperialismo. Na pós-revolução russa, os bolcheviques também propagaram a ideia de autodeterminação dos povos até então oprimidos pelo regime czarista, apesar de que tal intento nunca foi levado a sério. 

Essas bandeiras, aliadas com os ideais socialistas (como o bem comum, o fim da propriedade privada e a distribuição igualitária de riquezas), com o relativo sucesso econômico (a União Soviética foi talvez, o país que menos sofreu com a Grande Depressão) e o papel fundamental dos soviéticos na Segunda Guerra Mundial, ressoaram nas nações que almejavam a sua emancipação, galgando inúmeros simpatizantes que por meio de movimentos de guerrilhas conquistaram sua emancipação.

Essa possibilidade de ampliação do bloco socialista fez com que os EUA pressionassem seus aliados França e Inglaterra, no sentido de atuarem a fim de obterem uma emancipação negociada, onde se garantisse os interesses ocidentais e capitalistas nessas regiões. Tal política surtiu efeito, fazendo com que inúmeros países conquistassem sua emancipação, mas efetivamente continuavam economicamente dependentes da antiga metrópole ou de outras potências estrangeiras.

Abaixo, na charge do brasileiro J. Carlos temos uma inversão de valores, onde se retrata a invasão do continente africano pelas potências europeias. O processo de descolonização aconteceria somente no pós Segunda Guerra Mundial.


Os conteúdos dispostos nas postagens são rascunhos, podendo apresentar erros de concordância ou ortografia. Na medida do possível tentar-se-á corrigir as imprecisões, incluir a bibliografia e rever textos e informações imprecisas.

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Um comentário:

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