A década de 1920 e a Grande Crise de 1929 (1 de 4): O estilo americano de vida


Para entender o que foi a Crise de 1929 devemos voltar um pouco no tempo, ou mais exatamente ao final da Primeira Guerra Mundial e começo da década de 1920. A economia americana alcançou uma extraordinária expansão durante a Primeira Guerra, impulsionando imensamente a sua indústria e agricultura na medida em que os norte-americanos ficaram responsáveis pelo fornecimento de matérias-primas, produtos industrializados, armamentos e alimentos para a Europa. Ao final da Primeira Guerra os Estados Unidos eram o maior credor mundial (11 bilhões de dólares) e controlavam metade do estoque mundial de ouro. 

Com a final da guerra, durante boa parte da década de 1920, os Estados Unidos continuaram com sua economia superaquecida, afinal de contas era necessário reconstruir a Europa (em 1918 eram responsáveis por um terço da produção industrial mundial, em 1929 já eram responsáveis por 42%).

Essa euforia durante a década de 1920 originou o ideal da “american way of life”, ou “estilo americano de vida” que apregoava os princípios de “vida, liberdade” e principalmente a “procura da felicidade”. A “procura da felicidade” se resume basicamente na contínua busca por uma melhor qualidade de vida, que na maioria das vezes pode ser resumida em consumo desenfreado. Esse ideal fica expresso no slogan de Hebert Hoover (presidente no período de 1929-33): “um frango em cada panela e dois carros em cada garagem”.

O “estilo americano de vida” levava em conta também a adoção de “bons costumes”, que fomentassem a moralidade entre os americanos. Isso levou a proibição em 1920 da fabricação, comercialização e transporte de qualquer bebida alcoólica dentro do território norte-americano. Essa proibição fez com que surgissem os gangsteres, que lucravam muito com a venda de bebida, jogatina e outros negócios ilegais. Muitos gangsteres tornaram-se famosos e ricos, comandando pequenos exércitos que tinham por função proteger os seus negócios. 

A euforia em relação à superprodução e ao consumo pode ser verificada, por exemplo, no campo, onde a espetacular mecanização se reverteu em um impressionante aumento de produtividade, ocasionando safras recordes. As indústrias, por sua vez, estimuladas pela expansão do crediário, produziam bens de consumo, ou os chamados “sonhos de consumo” em ritmo alucinante. Os americanos, por meio do crediário passaram a não apenas sonhar, mas comprar bens sem a certeza de que teriam condições de quitar a divida. 

Policiais jogam milhares de litros de bebidas alcoólicas. Imagem típica da lei seca e do moralismo da década de 1920 nos Estados Unidos.

Dentro do otimismo econômico pré-crise de 1929, a propaganda acima destaca os chamados "sonhos de consumo" e o desejo desenfreado de consumo que acompanha a sociedade norte-americana até os dias de hoje.


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