Crise do Sistema Colonial (1 de 4) - Caracteristicas do sistema colonial brasileiro; Revolta de Beckman; Guerra dos Emboabas.


Características do sistema colonial

De que forma foi organizada a economia e as relações de trabalho na América portuguesa? Entre as principais características da colonização implantada no Brasil, pode-se citar:

  • Em primeiro lugar, da mesma forma que a colonização espanhola, no Brasil também se utilizou o “Pacto Colonial”. Através dessa relação desigual entre colônia e metrópole assegurava-se o exclusivismo comercial, ou seja, Portugal tinha o monopólio da compra da produção colonial e, igualmente da venda de mercadorias na América portuguesa. 

  • A produção era destinada ao mercado externo. Tal qual na América espanhola, o colonização portuguesa tinha um caráter de complementaridade, ou seja, os recursos oriundos da exploração se destinavam ao mercado externo, complementando a economia metropolitana.

  • Como o objetivo era lucrar, os portugueses desenvolveram culturas em larga escala e com baixo custo produtivo, ou seja, utilizavam os chamados latifúndios (grandes extensões de terras), com o desenvolvimento da monocultura. Ao optar pela monocultura, a coroa portuguesa inviabilizou em grande parte o desenvolvimento de um mercado interno que tivesse como base as pequenas e médias propriedades.

  • Utilização preponderante da mão-de-obra escava africana, negócio altamente lucrativo.

  • Por fim, altamente nocivo ao desenvolvimento colonial, à metrópole adotou a proibição em relação à instalação de manufatoras. O objetivo era garantir, através do Pacto Colonial a venda de mercadorias sem qualquer tipo de concorrência por parte dos colonos.

 Cena da época colonial, onde aparece a figura do "preto de ganho", isto é, um escravo que desempenhavam as mais diversos funções nas cidades coloniais.

Revolta de Beckman

A Revolta de Beckman está relacionada com essa estrutura colonial brasileira. Ocorreu no Maranhão em 1684. Desde o século XVII, a região enfrentava uma séria crise econômica, que resultava na impossibilidade da importação de escravos e como consequência, na falta de mão-de-obra para as lavouras. Como alternativa para suprir a mão-de-obra escrava, os senhores de engenho locais organizavam invasões aos aldeamentos organizados pelos jesuítas com o objetivo de capturar indígenas. Os jesuítas, tendo em vista as agressões, recorreram à Coroa, que passou a proibir terminantemente a escravização dos indígenas e, para tentar resolver o problema da mão-de-obra, criou a Companhia de Comércio do Maranhão, que ficaria responsável pelo fornecimento de escravos. Na prática, a Companhia praticou o monopólio e era acusada de vender produtos deteriorados, não fornecer escravos e praticar preços exorbitantes.

Indignados com a proibição da escravização dos indígenas e com a ação dos jesuítas, e insatisfeitos com a atuação da Companhia de Comércio, e liderados pelos irmãos Beckman e por Jorge Sampaio (grandes senhores de engenho) um grupo de revoltosos saquearam os armazéns da Companhia, derrubaram o governo local e organizaram um governo provisório.

A repressão da coroa aconteceu rapidamente. Sem apoio de outras capitanias, os revoltosos foram sufocados pelos efetivos militares portugueses e as principais lideranças do movimento, entre elas, Manuel Beckman (que tentou fugir, mas foi entregue pelo próprio afilhado, mediante promessa de recompensa) e Jorge Sampaio, foram enforcadas. 

Beckman no Sertão do Alto Mearim, obra de Antônio Parreiras, representando um dos irmãos Beckman.

Guerra dos Emboabas

A Guerra dos Emboabas foi travada na região central de Minas Gerais no período de 1707 e 1709. O conflito colocava em questão o direito de exploração das recém descobertas jazidas de ouro. De um lado estavam os bandeirantes da Capitania de São Vicente, descobridores das minas, e também, conhecidos como vicentinos, e que queriam a exclusividade da exploração das minas; do outro havia um grupo composto de portugueses e indivíduos de várias partes do Brasil (chamados de emboabas, que significava estrangeiros), em especial, Bahia e Pernambuco, que eram atraídos pela febre do ouro.

A rivalidade entre os dois grupos levou a uma série de enfrentamentos, com a morte de centenas de pessoas. Os emboabas, em número cada vez maior conseguiram derrotar os paulistas e expulsá-los da região das minas.


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