De artesãos à trabalhadores assalariados


A partir do século XI e XII a sociedade medieval européia sofreu profundas transformações. Inúmeras pessoas passaram a sair do campo e migrar para as cidades, então chamadas de burgos, para exercer atividades não ligadas à agricultura, ou seja, ofícios como o de sapateiro, padeiro, fabricante de moveis, etc. Não existia ainda a divisão técnica do trabalho, isto é, o artesão era responsável por toda a fabricação da mercadoria, tinha acesso à matéria-prima, às ferramentas para executar o trabalho e era dono do resultado de seu trabalho. Muitos mestres artesãos poderiam ter um ou mais ajudantes, que trabalhavam até conseguirem abrir a sua própria oficina, e se caso não conseguissem, poderiam continuar trabalhando para o mestre artesão como jornaleiros (que recebiam pela sua jornada de trabalho). 

Surgiram nessa época às chamadas Corporações de Ofício, que nada mais era que corporações que uniam operários qualificados que exerciam uma mesmo função, com o objetivo de se defenderem e de negociarem de forma mais eficiente. Para fazer parte de uma corporação de ofício, uma pessoa poderia se ocupar de apenas um ofício, caso contrário, seria impedido de exercer a sua atividade, além de correr o risco de ser expulso da cidade. Dentro das corporações existiam regulamentos específicos quanto à hierarquia, formação e treinamento, carga horária de trabalho, salários e preços dos produtos. Participando das corporações os artesãos se protegiam da concorrência das outras cidades. 

Com a expansão das atividades comerciais, tanto em relação ao Oriente, e com o movimento das Grandes Navegações em direção à América houve um incremento das atividades comerciais. Esses desenvolvimentos do comércio e das atividades manufatureiras deram origem a uma nova estrutura social: a sociedade capitalista. 

Com a necessidade da produção de excedentes para a troca com os mercados externos os comerciantes capitalistas começaram a fazer a intermediação entre os artesãos (fornecendo matérias-primas e muitas vezes ferramentas de trabalho) e os compradores, controlando desta maneira a comercialização dos produtos. 

A introdução da figura do comerciante capitalista desestruturou as corporações de ofícios e tornou os artesãos dependentes do fornecimento de matérias-primas. Foi-lhes negado o acesso ao mercado e à comercialização de seus produtos, sendo transformados gradativamente em trabalhadores tarefeiros assalariados. 

Aquele artesão, que na manufatura medieval detinha as ferramentas e uma autonomia no uso de seu tempo, desaparece, submetendo se ao capital. Ocorre, portanto, a separação entre o trabalhador e a propriedade dos meios de produção (capital, ferramentas, máquinas, matérias primas, terras). Desse modo, podemos afirmar que a essência do sistema capitalista encontra se na separação entre o capital e o trabalho. 

O crescimento do mercado não só irá transformar o artesão em trabalhador assalariado, como fará renascer a escravidão: o trabalho compulsório de africanos nas colônias da América. 

Temos que destacar que para as elites que comandavam a implantação do sistema capitalista o trabalho livre era a forma ideal. Essa é por excelência a concepção burguesa da liberdade individual do homem: ele e livre para usar a força de seu corpo como uma maquina natural e para escolher de forma soberana o que deseja para si mesmo. Assim, se ao escravo na América não era dada a oportunidade da escolha, ao trabalhador europeu era concedido o direito soberano da liberdade.





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