A sociedade feudal e o trabalho enquanto um bem árduo


O trabalho, que durante a antiguidade grega se realizava sob forma geral da escravidão, assume, na Idade Média, a forma da servidão. A queda do Império Romano provocou mudanças na vida das cidades, com a constituição dos feudos. Por toda a Europa desenvolveu-se uma sociedade onde contingentes populacionais se colocavam sob a proteção de senhores da terra prestando-lhes homenagem (promessa de fidelidade e cumprimento de obrigações do vassalo ao senhor feudal). 

As características da sociedade feudal originaram um modelo tripartido da sociedade em três ordens que seriam naturais, complementares e consideradas fruto da vontade divina. Nessa divisão o clero (ou oratores) teria a incumbência de rezar (e salvar as almas, missão deveras importante); aos nobres (ou bellatores) ficaria reservada a arte da guerra e o dever de resguardar a cristandade (e seus interesses particulares, obviamente); por fim, aos servos (ou laboratores), ficaria ficava reservado o árduo dever do trabalho. 

A ideia da ordem tripartida, legitimada pela igreja preza pela complementaridade, nesse sentido, cada uma das classes teria seu lugar bem definido e todas deveriam cumprir suas funções para o natural funcionamento da sociedade. 

Durante a antiguidade grega a preocupação de reafirmar a liberdade do homem no âmbito da necessidade levou a uma visão do trabalho que o considerava indigno e servil, à medida que atava o homem ao reino da necessidade. Na Idade Média permanece a influência teórica de Platão e Aristóteles, e por isso o problema é pensado mais ou menos nos mesmos termos, mas já com uma diferença marcante: alguns pensadores, como Tomás de Aquino considera o trabalho um bem. Um bem árduo, mas um bem. Tratava-se de legitimar a idéias das três ordens, ou seja, na medida em que as três ordens são necessárias para o funcionamento da sociedade medieval o trabalho ganha um status positivo.

No mundo medieval os servos tinham uma série de obrigações em relação aos senhores feudais. Entre as principais obrigações dos servos estavam:

Talha – Parte do que era produzido no manso deveria ser entregue ao senhor feudal.

Corveia – Trabalho compulsório nas reservas senhoriais em alguns dias da semana.

Banalidade – Cobrança pelo uso obrigatório das instalações e instrumentos do feudo, como pontes, moinho, celeiro.

Tostão de Pedro – 10% da produção do servo deveríamos ser pagas a Igreja.

Taxa de Justiça – Servos e os vilões (camponeses não vinculados ao feudo) deviam pagar para serem julgados no tribunal do nobre.

Formariage – Taxa paga quando o nobre se casava para ajudar nas despesas do casamento.

Mão Morta – Pagamento de uma taxa para permanecer no feudo quando o chefe da família morria.

Temos que destacar que mesmo sendo obrigado a cumprir com diversas obrigações e tendo muitas vezes uma vida difícil os servos não eram escravos. Embora os senhores procurassem mantê-los associados a terra, eles tinham o status de homens livres, embora na maioria das vezes não fossem de fato "trabalhadores livres". Existia também uma grande diversidade de servos, desde aqueles que trabalhavam o tempo todo para o seu senhor, até servos que haviam enriquecido e apenas pagavam um taxa ao senhorio. 

Representação das três ordens do imaginário medieval.


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