Pode-se dizer que a moral é o conjunto de regras de conduta admitidas em determinada época por um grupo determinado de indivíduos. Em outras palavras, podemos dizer que a moral diz respeito aos “costumes de uma época”.
Um mundo sem uma determinada “moral constituída”, ou seja, um conjunto de regras, normas e valores coletivos torna-se verdadeiramente um caos. Se cada um pudesse fazer o que bem entendesse, não haveria moral propriamente dita. O sujeito moral tem a intuição dos valores como resultado da intersubjetividade, ou seja, da relação com os outros. Devemos pensar que a formatação de valores morais de uma época passa pela aceitação dos indivíduos em relação a esses costumes e regras.
Mas, como é possível perceber facilmente, a moral de uma época pode sofrer profundas alterações. Podemos utilizar como exemplo a ideia de trabalho, que durante a Antiguidade era desprezado e que na época contemporânea é valorizado.
A experiência efetiva da vida moral supõe, portanto, o confronto contínuo entre a moral constituída, isto é, os valores herdados, e a moral constituinte, representada pela crítica aos valores ultrapassados.
O ato moral possui dois polos, o normativo, que estabelece a norma, como, por exemplo, “Não minta”, “Não cole”, e o fatual que é a efetivação da norma na experiência vivida. Nesse âmbito, a norma somente tem sentido quando é cumprida e o ato fatual somente se torna moral se realmente for obedecido. Quando não obedecido o que ocorre é exatamente a transgressão à norma.
Contudo, não podemos esquecer que o não comprimento da norma introjetada pelo indivíduo, pode, por um lado tornar o ato imoral, e por outro - na medida em que um indivíduo apenas a sua posição pessoas - corre o risco de ficar a margem das normas se tornando amoral. O homem sem princípios é exatamente aquele que age independentemente da observância de qualquer norma ou moral social.
0 Comentários