A alienação no trabalho (4 de 4) - Sociedade de consumo


Apesar da experiência na Rússia e da bipolarização durante a época da Guerra Fria, o que se observou foi uma gradativa conquista de melhorias por parte da classe trabalhadora em países muito desenvolvidos economicamente e, inclusive, a redução da exploração das classes trabalhadoras, com o esvaziamento de qualquer empolgação em relação à ideia de luta de classes ou ditadura do proletariado. Nos dias de hoje, não se costuma falar com frequência da alienação em relação ao trabalho. Mais comumente, quando se fala em alienação se faz uma ligação com o que é conhecido como “sociedade de consumo” – apesar de ser uma consequência e uma das formas de alienação descritas por Marx. 


Quando falamos de sociedade de consumo referimo-nos a uma sociedade que vê o consumo como um fim em si mesmo. Muitas vezes trabalha-se de forma alienada, ou seja, sem ter conhecimento do processo produtivo, sem uma ligação com o produto final do trabalho, sem atribuir um significado ao trabalho que desempenha, ou seja, sem prazer e, para piorar, muitas vezes, trabalha-se tendo como principal objetivo suprir as necessidades criadas socialmente. 

Como os indivíduos muitas vezes não têm uma relação prazerosa com o seu trabalho procura-se essa satisfação no consumo de mercadorias, que acaba se tornando um fim em si mesmo, ou seja, a mercadoria em si mesmo muitas vezes não é um meio para suprir uma necessidade real do ser humano, o que mais importa é a satisfação meramente instantânea obtida por meio do consumo, que tende a se diluir, criando um círculo contínuo de consumo, um fim em si mesmo. 

É lógico que a comunicação de massa (dirigida a um grande público) contribui para o consumo de mercadorias, por exemplo, com os slogans de marcas famosas que criam imagens ideais almejadas por todos, levando as pessoas muitas vezes a gastarem até mais do que poderiam. Podemos pensar ainda nas inúmeras datas e comemorações criadas artificialmente, relembradas continuamente ou incentivadas com o único objetivo de incrementar o consumo de mercadorias. Em algumas situações a recordação da importância da data em si é reduzida em comparação com a importância que o “presente” acaba adquirindo. 

Lembra-se, por outro lado, o impacto que a sociedade de consumo ocasiona para o desgaste do planeta. Nesse sentido, a filosofia pode proporcionar um questionar-se contínuo em relação ao papel e o lugar do ser humano no planeta. Em termos de comparação, para cada ser humano existem 7 bilhões de insetos. De fato, pode-se efetivar uma ação depredatória a mercê de quaisquer outras formas de vida vinculada aos seres humanos? 

Há de se destacar que o modelo da sociedade de consumo defendida e difundida por todo o mundo pelos principais países capitalistas faz com que a maioria das pessoas mergulhadas nesse ideal não procure minimamente fazer uma autocrítica. As massas populares, ou seja, aqueles trabalhadores, que segundo Marx levaria a revolução socialista a cabo, sonham agora em alcançar o padrão de “bem-estar” das elites. Compartilham da frágil ideia de que a mobilidade social as levará a um alto patamar de consumo, o que, verdadeiramente, atingirá uma parcela pequena da população nos países pobres. Sonham ainda com uma ascensão imediata, como um premio de loteria, ou, então direcionam suas forças para a criminalidade, via rápida para se obter mercadorias que talvez nunca fossem obtidas dentro do processo produtivo legal. Por fim, sonham – de fato, sonham mesmo – com as telenovelas, se sentindo partícipes de um ambiente a qual não pertencem, satisfazendo sem críticas suas fantasias de consumo de forma imaginária.




Tem mais sobre a alienação no trabalho! É só continuar lendo!




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