Os Gregos Antigos (5 de 6) - Guerras Médicas (Maratona, Termópilas e Salamina)



O poderoso Império Persa de Dario I dominava boa parte do mundo conhecido no século V a.C., inclusive várias cidades-estados gregas da Ásia Menor. Em 498 a.C. algumas cidades dominadas pelos persas (em especial Mileto) se rebelam, e contando com a ajuda de Atenas atacam as tropas de Dário I na região. Posteriormente, as tropas persas conseguem conter a revolta e incendeiam a cidade de Mileto. 

Além da revolta em Mileto, Atenas já havia desafiado anteriormente Dario I. 50 anos antes de Maratona os atenienses estavam enfrentando os espartanos e pediram ajuda para os persas para se defender de Esparta. Os persas concordaram em conceder sua ajuda desde que os atenienses fizessem uma oferta sagrada de terra e água (que significava a submissão ao império persa). Os gregos aceitaram (mesmo sem saber o significado da promessa), mas os espartanos atacaram antes que Atenas conseguisse pedir a ajuda prometida e acabaram vencendo sozinhos os espartanos. Como não foi necessária ajuda dos persas, Atenas não respeitou o tratado e executaram (jogaram em um precipício) arautos persas que haviam sido mandados para Atenas para cobrar impostos, o que deixou o rei persa Dário I extremamente descontente com a ousadia da cidade-estado de Atenas. 

A ousadia ateniense, unida a sublevação em Mileto fez com que Dario I organizasse um grande exército e em 490 a.C. e marchasse em direção ao Mediterrâneo com o objetivo punir e esmagar Atenas e as demais cidades gregas. Sem muito auxílio de outras cidades os atenienses tiveram que enfrentar praticamente sozinhos as numerosas tropas persas na famosa Batalha de Maratona. 

Dario I havia reunido uma frota de 600 navios que deveriam desembarcar em Maratona, com tropas que superavam 30 mil homens. Comandados por Milcíades, os atenienses contavam com pouco mais de 10 mil homens e a tarefa de deter o poderoso exercito persa. Os atenienses chegaram a mandar o mensageiro Fidípedes (que percorreu 240 km em apenas dois dias) pedir ajuda dos destemidos espartanos, mas não foram atendidos, porque Esparta estava comemorando um feriado religioso e seus guerreiros se recusavam a marchar antes da lua cheia. 

Milcíades, que já havia lutado para os persas (antes de tentar traí-los e ser obrigado a fugir para Atenas) conhecia muito o poderio das tropas persas. Os persas contavam com arqueiros da Etiópia, espadachins indianos, cavaleiros das estepes da Ásia, além dos imortais, soldados de infantaria que cobriam seu rosto, consistindo em uma tropa de elite. Contudo, os gregos estavam lutando por sua cidade, por seu estilo de vida, por seus familiares, por suas vidas. 

Os persas desembarcaram suas tropas em Maratona e depois de 4 dias de impasse (os gregos não atacaram por estarem em melhor posição no campo de batalha e aguardarem a ajuda dos espartanos) o comandante persa Datis resolveu embarcar dois terços de suas tropas e às escondidas encaminhar elas até Atenas com o objetivo de destruir a cidade que estava desprotegida. Os gregos descobriram o plano dos persas e perceberam que seria o melhor momento para arriscar um ataque total sobre os persas.

Os gregos se lançaram em um ataque contra os persas reforçando os flancos para evitar o ataque da cavalaria persa e no local da marcha hoplita se locomovendo rapidamente para minimizar o ataque dos arqueiros. Depois de mais de 3 horas de batalha as tropas persas haviam sido dizimadas e os persas se dispersaram tentando fugir em direção aos seus navios, sendo massacrados na praia. 

Os gregos haviam vencido em Maratona, mas dois terços das tropas persas estavam a caminho de Atenas, fazia-se necessário retornar com as tropas hoplitas até Atenas para proteger a cidade. Conta-se que os gregos mandaram Fidípedes à frente para avisar da vitória grega, que percorreu os 42 km que separam Maratona de Atenas e chegando a Atenas teria gritado Nike (que era a deusa da vitória) e caiu desfalecido. 

Os gregos conseguiram retornar a tempo e quando Datis chegou ao porto à baia que dava acesso a cidade de Atenas ficou perplexo em avisar as tropas gregas protegendo a costa. O comandante persa não desembarcou as suas tropas e retornou a Pérsia. Na batalha de Maratona os persas teriam perdido 6500 homens sendo que os gregos 192. Mais tarde 192 faces seriam esculpidas no Parthenon homenageando os mortos da batalha. 

Com o intuito de se proteger, Atenas e Esparta – além de inúmeras outras pólis – irão formar a Liga de Delos com o objetivo de organizar uma poderosa frota marítima, que pudesse garantir a supremacia naval dos gregos no Mediterrâneo. Com o tempo, Atenas acabou centralizando o comando da Liga de Delos e utilizando os tributos arrecadados para o desenvolvimento da própria pólis.

Posteriormente, com a morte de Dario I, seu filho Xerxes vai organizar um novo exército – um dos mais formidáveis da Antiguidade – e marchar novamente em direção à Grécia. O gigantesco exército persa, com mais de 250 mil combatentes será barrado por dois dias por apenas sete mil gregos de diversas cidades-estados liderados por 300 espartanos e seu Leônidas, na famosa Batalha das Termópilas (em 480 a.C.).

Os gregos escolheram o desfiladeiro das Termópilas de forma estratégica, por se tratar de um estreito onde os persas não conseguiriam utilizar todo o potencial de seus exércitos, como o fariam em campo aberto. No desfiladeiro os gregos utilizando-se da falange cerrada poderiam barrar o avanço persa. Observando o conflito do alto de uma colina Xerxes ficou perplexo com a bravura dos gregos. Mesmo com seus arqueiros, infantaria leve e com a infantaria pesada (os imortais) a falange grega não cedia espaço. 

A batalha poderia ter se prolongado se os gregos não tivessem sito traídos por Efialtes, que em troca de enriquecimento informou a Xerxes que existia um atalho que contornava a montanha. Às escuras, soldados persas contornaram a montanha e no terceiro dia de batalha cercaram os gregos. Sem a possibilidade de utilizar todo o potencial da falange grega Leônidas mandou os sete mil gregos retornarem e ficou com os seus 300 espartanos nas Termópilas, lutando até a morte, que aconteceu com repetidas saraivadas de flechas, o que se diga para os espartanos era menos honroso, na medida em que tirava toda glória de morrer combatendo corpo a corpo. 

Mesmo com a bravura dos espartanos, Xerxes passou pelas Termópilas e conseguiu invadir Atenas, mas nesse meio tempo a sua população e o seu exército havia sido retirado para a ilha de Salamina, liderados por Temístocles. No mesmo ano de 480 a.C. a baia de Salamina seria o palco da batalha decisiva entre gregos e o poderoso império persa. 


Os gregos tinham uma estratégia para vencer os persas em Salamina: as trirremes. Temístocles, que havia participado da batalha de Maratona insistiu na construção de uma espetacular frota de 200 trirremes, financiada com o dinheiro da Liga de Delos. As trirremes gregas eram a arma mais mortífera e eficiente que existia na época como combates marítimos. Com 40m, 170 remadores e uma viga central coberta de bronze, a trirremes era leve, fácil de manobrar e extremamente rápida, o que fazia dela uma maquina de guerra mortífera, em especial em locais com pouco espaço para manobras.


A estratégia grega consistia em atrair a poderosa frota persa de 700 navios para os estreitos de Salamina, congestionando os navios e utilizando todo o potencial das trirremes. Conta-se que nas vésperas da batalha Temístocles enviou um falso traidor até os persas, que convenceu Xerxes mover seus navios à noite e atacar as tropas gregas pela manhã nos estreitos de Salamina. Como se tratava de um ardil grego, quando o dia amanheceu as tropas gregas estavam preparadas para o combate. 

Os gregos impuseram pesadas baixas aos persas, afundando centenas de embarcações. Com a derrota em Salamina e sem contar com boa parte de sua frota os persas foram definitivamente expulsos pelos gregos, vencendo o maior império da antiguidade preservando a sua cultura que seria determinante como influencia para o que conhecemos como civilização ocidental.


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