Democracia (3 de 4) A democracia nem sempre foi positiva


Nem sempre a democracia figurou como a melhor forma de governo. Muitos pensadores ao longo da história trataram de sublinhar o que eles consideravam os pontos negativos da democracia, inclusive alguns dos maiores pensadores da Grécia antiga: Platão e Aristóteles.

A exemplo da democracia para Platão

De origem aristocrática, Platão era descrente em relação à democracia. Para Platão, os homens comuns são vítima de um conhecimento que é imperfeito baseado na pura “opinião”. Assim, esses homens, na medida em que são limitados deveriam ser dirigidos por homens sábios, mais capacitados e preparados, trata-se da “sofocracia” ou o “poder da sabedoria”.

Essa concepção de poder restrito aos sábios liga-se em Platão com a ideia do “mito da caverna”. Trata-se de uma caverna onde estão acorrentados homens desde a sua infância, dispostos de tal forma que somente podem vislumbrar o fundo da caverna. À sua frente são projetadas as sombras das coisas que passam às suas costas, onde existe uma fogueira. Essa é a realidade para esses homens. Platão afirma que se um desses homens conseguisse se libertar de seus grilhões e contemplar o mundo exterior, quando retornasse a caverna e relatasse o que havia visto, esses o veriam como um louco, não lhe dando crédito.

A indagação de Platão diz respeito a real possibilidade de se influenciar os homens que não querem ver, e nesse âmbito caberia ao sábio ensinar e dirigir esses indivíduos.

A exemplo da democracia para Aristóteles

A questão da “igualdade” dos indivíduos ocupa grande espaço no pensamento político de Aristóteles. Para Aristóteles a igualdade deve ser baseada nos méritos de cada um, ou em outras palavras não se pode dar o igual para os desiguais, já que as pessoas são diferentes.

Para Aristóteles a cidadania estava intimamente vinculada com a possibilidade de participar da política. De antemão estavam excluídos de sua concepção de cidadania os escravos, mulheres e estrangeiros. Contudo, Aristóteles efetivamente considerava um cidadão pleno aquele que não precisava se ocupar do campo das necessidades, ou seja, que tinha ócio disponível. A partir dessa concepção os artesãos, comerciantes e trabalhadores braçais também estavam excluídos de sua concepção de cidadania.

Essa concepção de cidadania liga-se com a ideia de Aristóteles em relação à democracia. O grande problema da democracia é exatamente a excessiva ampliação da prática política para um grande contingente de indivíduos. Assim ele considera a democracia um governo degenerado, ou o governo da “maioria pobre no poder”, na medida em que estaria incluindo aqueles indivíduos que estariam no “campo das necessidades”, ou seja, precisam utilizar a sua força física para obter a subsistência.

Para Aristóteles existem boas e más formas de governo. A distinção entre uma e outra se relaciona com o critério axiológico, ou seja, todas as boas formas de governo visam o bem dos indivíduos em sociedade, contudo, se o governante ou grupo que esta no poder se preocupa com seus interesses particulares esse governo acaba se degenerando, transformando-se em uma péssima forma de governo.

Assim a monarquia (governo de um só) é uma boa forma de governo, contudo, se o governante não privilegiar o bem dos indivíduos na sociedade pode acabar se degenerando em uma tiraria (líder ilegítimo). Da mesma forma a aristocracia (governo de um pequeno grupo, dos melhores) pode se degenerar em oligarquia (governo de poucos: nobreza, riqueza, laços familiares). E por fim a politéia (governo da maioria, como se fosse uma “meio-termo” entre os ricos e os pobres, uma espécie de “classe média”) pode se degenerar em democracia (maioria pobre no poder).

Para Aristóteles a melhor forma de governo é a politéia: “Onde a classe média é numerosa raramente ocorrem conspirações e revoltas entre os cidadãos”.


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